quarta-feira, setembro 27, 2006

Halo

You wear guilt

Like shackles on your feet

Like a halo in reverse



I can feel

The discomfort in your seat

And in your head it's worse



There's a pain

A famine in your heart

An aching to be free



Can't you see

All love's luxuries

Are here for you and me



And when our worlds they fall apart

When the walls come tumbling in

Though we may deserve it

It will be worth it



Bring your chains

Your lips of tragedy

And fall into my arms



And when our worlds they fall apart

When the walls come tumbling in

Though we may deserve it

It will be worth it

Martin Gore/Depeche Mode

Os Outros



"O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós"


Jean Paul Sartre

Dead Can Dance - Yulunga (Spirit Dance)




1ª faixa do album "Into the Labirinth"

terça-feira, setembro 26, 2006

Sol nocturno


Remendam-se ideias, garatujam-se projectos, e no fim do dia levam-se para debaixo da almofada, na esperança que nenhum elfo apareça e mos roube, agora que já não acredito neles.


Passam-se dias seguidos, o tempo avança inexorável, e o equilibrio chega aos soluços.
Esperar a totalidade é o primeiro passo para falhar na percepção das coisas boas. Habituemos os olhos à realidade fragmentária e tudo se tornará mais fluído. Eduquemos o ego.


Deixemo-nos de pseudo intenções.

Por dia bebo 4 ou 5 cafés, fumo 20 a 30 cigarros. Penso: combato o cansaço, imponho-me pausas. Penso: para quê e de quê?
É importante saber ser derrotado, dar-mo-nos por vencidos, ceder. É o primeiro passo do (re)início, para a concórdia.


Dar-mo-nos por vencidos é uma decisão que implica uma considerável dose de coragem. Não é uma desistência, não implica estatismo: Impõe exactamente o contrário.

Ou de como se ama

Existe alguém que bem conheço, poucas primaveras e coração ao vento.
Corajoso. Ouvir de alguém tão novo: "Se há aqui alguém que já errou, e muito, sou eu, e é nessa perspectiva que vos falo" - É arrepiante.
Não te chamem imaturo, não te mudem por favor, que todas as mudanças que tens que sofrer, é bom que sejas tu a vê-las. Que não te mudem a perspectiva. Que não te mudem a forma de mudar. Por ti. A pulso. És tão bonito que quero ver-te crescer. Estou cá, para te ouvir. Para te aprender. Para ti. Sempre para ti.

segunda-feira, setembro 25, 2006

O chão


"Well we stick our fingers in
The ground, heave and
Turn the world around
Smoke is blacking out the sun"

Fumo



Toalhas enroladas aconchegam-te o sono enquanto luzes sintéticas afastam o meu.
Um lento torpor fumegante dissipa-se e nada já incandesce. O medo do vazio acende-se, porém. Num claro assomo de solidão grito-te, mas a voz não sai. Alguma coisa me prende ao silêncio. Emudeço.

Despejo nos teus olhos o turbilhão dos meus, mas num instante me descubro fito no chão.
O suave consolo de uma música devolve-me a lassidão do cigarro.
E nas inconsistências do dia se resolve a inconsequência das horas.

O'Neill e os convencidos da vida


Alexandre O'Neill

"Querem vencer, querem, convencidos, convencer. Vençam lá, à vontade. Sobretudo, vençam sem me chatear."


A excelência de O'Neill, aqui, na Luminosa Casa de Maio, de Maria P.:




domingo, setembro 24, 2006

sábado, setembro 23, 2006

Uma escolha

..difícil... escolheu-ma o meu amigo Paulo, há 2 anos, quando lhe mostrei esta música e ele me disse: "dá a sensação que poderia nunca acabar, perpetuar-se no infinito".
Provavelmente ele não se lembra, mas eu não me esqueci.

Uma espécie de sopro

I lay down by the river

The shadows moved across me, inch by inch

And all that I heard

Was the war between the water and the bridge

Turn to me, turn to me, turn to me

Turn and drink of me

Or look away, look away, look away

And never more think of me



Carry me



I heard the many voices

Speaking to me from the depths below

This ancient wound

This catacomb

Beneath the whited snow

Come to me, come to me, come to me

Come and drink of me

Or turn away, turn away, turn away

And never more think of me



Carry me

Carry me away



Who will lay down their hammer?

Who will put up their sword?

And pause to see

The mystery

Of the Word



Carry me

Carry me away

Carry me

Carry me away


Do incomparável "Abattoir Blues/ The Lyre of Orpheus"


sexta-feira, setembro 22, 2006

49 anos









A 22 de Setembro de 1957, em Warracknabeal, Austrália, nasceu Nicholas Edward Cave (Nick Cave).


Não me alongarei muito no que quero dizer.
Quem me conhece sabe que esta data assinala, assim, o nascimento de um amigo importante para mim. Sempre presente.

Sempre que neste Blogue surge uma música "não-cave" saibam que é um gesto contra natura.

Um amigo sim. Clamarão que me comporto como adolescente. Talvez tenham razão. Idealizo uma pessoa e transformo-a um pouco em minha. Abraço-o-me. Mas não são um pouco idealizadas todas as pessoas que fazem parte de cada um dos nossos microcosmos? E ele nem me exige muito esforço...

Homenageio-o e agradeço-lhe,


Parabéns, meu amigo.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Às vezes esqueço-me...

Happy Child in Trinidad & Tobago


O meu claro vazio criativo não me impede de vos encaminhar para os cantinhos que vou descobrindo.
Para dias chuvosos, em que apeteça rir ou sorrir, deixo duas sugestões, diferentes no teor. Descubram a vossa preferida.


No Peluxeu encontramos o novo recruta Vando (curioso, tem o nome do meu irmão, o mesmo aspecto e, coincidência das coincidências, é mesmo o meu irmão) a destilar humor muito, muito melhor que aquele que estamos habituados a ler.

Deixo-vos o link para o meu post preferido, mas não hesitem em descer um pouco e contextualizar a estória.

" Diário de recruta"




Longe do comum humor corrosivo e agressivo, longe das correntes habituais que nos vão cercando. É o meu maninho, Adoro-o, não escondo.
Que fazer??



De outro tipo de humor bebe o poema de Rui Costa, colaborador assíduo da Insónia de Henrique Manuel Bento Fialho. Não merece cair em esquecimento. Merece ser plasmado na antologia. Magnifico.

"Subject:RE"


Às vezes esqueço-me que rir é um remédio tão bom...






Spiders & Flies, Mercury Rev


Plans and schemes, thoughts and dreams,
Who cares what they mean?
When they work they're amazing things,
But when they don't I hear you scream.




Spiders and flies live and die,
Six legs to stand on and two wings to fly.
I can't remember and I can't decide
What was the season and the color of your eyes



A thousand kings, favorite queens,
Buried with them precious rings.
When they lived they loved complete,
But in their tombs I hear them scream.




Songs and spells, magic glass,
Who cares what they cast?
I dreamed I'd always love you complete.
I never thought I'd hear you scream.



Spiders and flies live and die,
Eight legs to stand on and two wings to fly.
It makes you wonder, "Why can't I?"
What was the reason for the color of your eyes, eyes



Mercury Rev, do album "All is Dream"

segunda-feira, setembro 18, 2006

O Túnel, a visceralidade e a insónia


Há um livro que li em tempos, e foi como se o tivesse lido ontem.


Há livros assim, que nos são viscerais. Nem sempre são melhores que outros que se soltam mais depressa, isto é, a visceralidade de um livro não é critério de qualidade. Acontece que sobre este sempre quis deixar umas palavras e nunca consegui. Teria de pegar nele de novo, e, confesso: não estou preparado.


Mas ontem descobri quem, sem querer, falou dele melhor que alguma vez a minha intencionalidade mo permitiria, e resolvi deixar-vos o link, e, claro, a sugestão de leitura.


O livro é "O túnel", de Ernesto Sábato, ou de como a linha mental que controla o nosso equilibrio é ténue.

Quem fala dele sem saber é Henrique Manuel Bento Fialho, no seu incontornável Insónia:

Rua perdida, alma exposta, murro no estômago


Hoje, dia grande, "A Gaveta do Paulo" tem obra prima: Chama-se: "Numa rua anónima de uma cidade qualquer", e é mesmo fundamental.

Atrevam-se

Climbing up the Walls - Radiohead





"..It's always best when the covers up
I am the pick in the ice
Do not cry out or hit the alarm
You know we're friends till we die.."



E por vezes adoece-se por uma música

sábado, setembro 16, 2006

Uma espécie de sono

"A fuga" - Teixeira Pinto

Há uma condição intrínseca às relações interpessoais, que não se enreda em afinidades ou se erige em respeito, que não se fomenta com carícias ou se adquire com argumentações, que não se invade de frenesim nem se abala em convulsões - a compreensão.
Que não é empática nem nunca dismórfica, que surge porque duas pessoas são ancestral e ontogénicamente conjugáveis, e que por último, contudo, se pode cultivar, preservar e proteger.
Gosto de pensar que posso proteger as pequenas bolsas de intersecção que identifico entre mim e algumas pessoas. Gosto de pensar que darei tudo por esses espaços em que comungo. Gosto de pensar que posso ser zeloso da ancestralidade.

Gosto de pensar que com poder demiúrgico se pode forjar uma compreensão, e do nada, solidifica-la, burila-la, faze-la existir. Torna-la mais verdadeira que as ancestrais.

Sem embuste, sem hipocrisia - com amor.

Existem atitudes que me magoam. Algumas dessas formam-me, constituem-me. Mas, ultrapassando os lugares comuns, a tendência para a capitalização da experiência, a versão pós-moderna e metafísica do "o que não mata engorda", a verdade é que, a maior parte delas me fere letalmente: porque há uma parte de mim que se extingue - uma parte de fé, de ânimo, de auto-estima, de felicidade.
Há uma ânsia catartica na dor e na perda, que nos coloca em risco.
Há tanta coisa que eu não gostaria que houvesse.
Há discursos hipócritas e discursos genuinos que serão sempre entendidos com os primeiros.
Há discursos inocentes e discursos ofensivos que serão sempre entendidos como os primeiros.
Há desejos de fuga que se atenuam em passos lentos, que são motores de busca, que nos entrecortam os dias perguntando-nos: estás no sitio certo? É verdade? Sentes isto? Viste aquilo? Era mesmo isso?
Há dúvidas que valem por mil certezas.
Há uma espécie de sono, de neblina.

Fábio H.L Martins, 16 de Setembro de 2006

sexta-feira, setembro 15, 2006

Excerto

O homem, como bom símio, é um animal social e imperam nele o amiguismo, o nepotismo, a trapaça e a mexeriquice como norma intrínseca de conduta ética - argumentava. - É pura Biologia.

Fermín Romero de Torres, personagem de "A Sombra do Vento"

quinta-feira, setembro 14, 2006

The Cure ( Ou de como nos podemos sentir sós)




"A Forest"

come closer and see
see into the trees
find the girl
if you can
come closer and see
see into the dark
just follow your eyes
just follow your eyes

i hear her voice
calling my name
the sound is deep
in the dark
i hear her voice
and start to run
into the trees
into the trees

into the trees

suddenly i stop
but i know it's too late
i'm lost in a forest
all alone
the girl was never there
it's always the same
i'm running towards nothing
again and again and again

fabulosa faixa nº7 do álbum "seventeen seconds", 1980