sábado, setembro 16, 2006
Uma espécie de sono
sexta-feira, setembro 15, 2006
Excerto
Fermín Romero de Torres, personagem de "A Sombra do Vento"
quinta-feira, setembro 14, 2006
The Cure ( Ou de como nos podemos sentir sós)
come closer and see
see into the trees
find the girl
if you can
come closer and see
see into the dark
just follow your eyes
just follow your eyes
i hear her voice
calling my name
the sound is deep
in the dark
i hear her voice
and start to run
into the trees
into the trees
into the trees
suddenly i stop
but i know it's too late
i'm lost in a forest
all alone
the girl was never there
it's always the same
i'm running towards nothing
again and again and again
The Cure ( Ou de como se cultiva arrogância)

"wendy time"
"you look like you could do with a friend she said
you look like you could use a hand
someone to make you smile she said
someone who can understand
share your trouble
comfort you
hold you close
and i can do all of these
i think you need me here with you
you look like you do with a sister she said
you look like you need a girl to call your own...
like fabulous! fabulous!
call me fabulous!
and rubbing her hands so slow
you stare at me all strange she said
are you hungry for more?
i've had enough i said
please leave me alone
please go
it doesn't touch me at all
it doesn't touch me at all
you know that you could do with a friend she said
you know that you could use a word
like feel or follow or fuck she said
and laughing away as she turned
you've everything but no-one
like the last man on earth
and when i die i said
i'll leave you it all
door closes
leaves me cold
it doesn't touch me at all
it doesn't touch me at all
you really do need a sister she said
you really do need a girl to call your own...
like wonderful! wonderful!
call me wonderful!
and running her hands so slow
you stare at me all strange she said
are you hungry for more?
i've had enough i said
please leave me alone
please go
please go"Faixa nº 5 do magnífico "Wish"
Para evitar sobreposição de faixas, e porque agora me sinto mais Spider $ fly, retiro o wendy time..
A propósito de qualquer coisa
Não é meu, mas é de mim, fui eu que fiz. E neste paradoxo se encerra tanto do que nos baralha. Tanto do que me confunde.
Beat só o Takeshi. E pelo caminho que o texto leva há mais coisas que urge esclarecer (!?!) : O Dadaísmo também não é muito meu. Dada só Tzara e Miller.
Pseudo-qualquer-coisa, assobio-me, e repreendo-me por ser tão antagónico.
Há dias assim, que não existem e são um martírio.
Cura-te rapaz. Ou cala-te.
quarta-feira, setembro 13, 2006
Palomar Observa o Céu

"Ninguém olha a lua da tarde, e é exactamente naquele momento que ela teria maior necessidade do nosso interesse, dado que a sua existência não está ainda assegurada. É uma sombra esbranquiçada que desponta no azul intenso de um céu carregado de luz solar; quem nos garante que conseguirá, uma vez mais, tomar forma e ganhar brilho? É tão frágil e pálida e franzina;só um dos seus lados começa agora a conquistar um contorno, claro como um arco de foice o resto permanece ainda embebido de azul celeste. É como uma história transparente, ou como uma pastilha semi dissolvida; só que aqui o circulo branco não se está a dissolver, mas sim a concentrar-se, agregando-se à custa de manchas e sombras cinzento-azuladas, que não se percebe se pertencem à superfície lunar ou se são restos de baba do céu, que todavia impregnam o satélite, poroso como uma esponja."
A todas as luas da tarde.
segunda-feira, setembro 11, 2006
Einstürzende Neubauten - Sabrina
It's not the red of the dying sun
The morning sheets surprising stain
It's not the red of which we bleed
The red of cabernet sauvignon
A world of ruby all in vain
It's not that red
It's not as golden as Zeus famous shower
It doesn't come, not at all, from above
It's in the open but it doesn't get stolen
It's not that gold
It's not as golden as memory
Or the age of the same name
It's not that gold
I wish this would be your colour
I wish this would be your colour
I wish this would be your colour
Your colour, I wish
It is as black as malevitch's square
The cold furnace in which we stare
A high pitch on a future scale
It is a starless winternight's tale
It suits you well
It is that black
I wish this would be your colour
I wish this would be your colour
I wish this would be your colour
Your colour, I wish
domingo, setembro 10, 2006
Livros de Consciência Limpa

Na Praia da Vieira, na Intersecção entre a Rua Do Sol (nº1) e a Rua da Lagoa existe mais um espaço irresistível: bonito, tranquilo, música boa ( e a décibeis nada inibitórios de uma boa conversa). sexta-feira, setembro 08, 2006
Imperdível
quinta-feira, setembro 07, 2006
Confissões
Para os amigos: Sinto-me em dívida, permanente, com vários amigos. Falta-me tempo, muitas vezes falta-me ânimo. Sofro de um problema razoavelmente sério: Queria fazer muita coisa, mas devagar vou percebendo que não posso. E o pior é que esta ânsia multiplicadora de mim me fragmenta em partículas tão pequenas que pouco é aproveitável. Estou optimista, apesar de tudo, crente numa renovação, a partir da qual me seja possível ir chegando a mim, ir chegando a vós: Lídia, Paulo, Margarida, Eduarda, Nuno, Hélder, Cláudio, Zé, Susana, Sérgio, Vando, Papás - a minha vida são, também, vocês, e nunca estarei convosco tanto quanto queria. Beijinhos
quarta-feira, setembro 06, 2006
A dois (colaboração com Paulo Kellerman) - Partes III e IV

III
Conto-te, agora, o sonho que me acompanhou:
Estou numa floresta, rodeada de árvores, vergada apenas pelo peso insuportável do azul do céu; amanhece, o sol surge lá longe, amarelecido, pálido, preguiçoso; contrariado; e o vento importuna as minhas folhas, incomoda-me, contraria a minha vontade de não ser tocada, acariciada. Pássaros a cantar, grilos e sapos e gafanhotos a chilrear; etc. Depois, chegam os homens com as suas máquinas ruidosas, rindo alto, cuspindo em cima dos arbustos; fumando. Os pássaros e os grilos e os sapos e os gafanhotos (e também os esquilos e os coelhos bravos e as raposas) cessam os seus devaneios vocais; calam-se: e o seu silêncio é a prova de que talvez nem existam. Os homens aproximam-se de uma árvore e cortam-na; de repente, percebo que até o vento fugiu. Sinto-me só, desamparada. A árvore cortada é arrastada, acondicionada, amarrada; em silêncio, não se ouve um único suspiro, uma única súplica; não há revolta nem indignação nem medo. Nada. Simplesmente: estava lá e agora já não está. Vejo a árvore desaparecer, envolta numa nuvem de pó e fumo originada pelo camião. E dentro do sonho, penso: estou a assistir à dramatização da estória que o anjo me contou. Mas no preciso momento em que penso isso, o sonho altera-se, tudo se altera. E percebo que, agora, sou eu, e não outra árvore qualquer, anónima, que segue amarrada no dorso de um camião. Há instantes de pavor, de fúria, de desespero. Mas, logo depois, vejo o céu deslizar sob mim, vejo as nuvens caminharem comigo, como se me pegassem pela mão; e sereno. Sinto, pela primeira vez, a volúpia do movimento. E quase gosto. Decido não me revoltar. Espero. Sinto. Usufruo. Por vezes, invoco a escuridão e tento alienar-me; esquecer. Mas sempre que desisto e enfrento o que me acontece, o que não posso controlar (pergunto-me, inconscientemente: uma condenação que até se pode revelar libertadora? Uma libertação que inexoravelmente será condenação?), sempre que encaro a verdade, sempre que olho, o céu mantém-se azul e uma nuvem branca acompanha-me. Penso: enquanto o céu for azul, estarei bem; penso: enquanto uma nuvem me acompanhar, não estarei só. E então, sinto apoderar-se de mim um estranho sentimento de indiferença: apatia em relação ao meu destino, vulnerável passividade. Percebo (aceito): o futuro não me pertence: espera-me; e é bom. Não importa, nada importa. Penso: sou uma árvore, uma simples árvore; um único pensamento meu vale mais que todo o universo; e, simultaneamente, a minha existência não vale nada, é brutalmente irrelevante. Olho o céu; e percebo que algo se altera na tonalidade, na matiz, no brilho, no movimento do azul. Suaves metamorfoses, imperceptíveis mutações; transfiguração: o azul mantém-se azul, sendo outro azul. De repente, compreendo: o que tenho perante mim já não é o azul do céu mas o azul do mar. Olho, deslumbrada: sim, é o mar; o branco das nuvens transformou-se no branco da espuma, o vento agora embala ondas e não nuvens. Nunca vi o mar (como poderia ter visto?) mas sei que estou perante ele. Sou, agora, uma árvore firmemente erguida sobre o amarelo da areia; as nuvens deixaram de me tocar, de me pegar as mãos; agora, são as ondas que me acariciam os pés. Sinto-me inebriada; lá do fundo de mim, vem a acusação da consciência: mas que disparate é este? Não tens mãos nem pés, tens ramos; a seiva esvai-se da tua madeira, pereces; enlouqueces; deliras. Admito que o meu lado racional poderá estar certo; aceito que poderei estar a assistir à minha morte, ou talvez à simples transformação em algo que ainda não sei o que será. Indiferença. Conforto. Paz. A brisa que forma ondas e as arrasta até mim é a mesma que se entrelaça nas minhas folhas; o sol balanceia entre o azul do céu e o azul do mar, os seus raios abraçam-me, abraçam-nos; imagino que me sorri, cúmplice. Agora, que já não estou prisioneira da terra, sinto-me parte da natureza, sinto a comunhão dos elementos concretizando-se em mim. Será isto morrer? Talvez. Gosto, é bom.
De repente, acordo. E o regresso à realidade é doloroso. Sinto as garras da terra envolvendo as minhas raízes, aprisionando-me. Adivinho o nascimento de um sentimento de revolta e impotência; mas, então, percebo que estás perante mim. E enquanto te falo, enquanto partilho contigo o que acabei de fantasiar, percebo que a revolta de dissolve, libertando-me. Falo-te: e a paz inunda-me. Percebo: és o meu mar.
Mas não podes ouvir-me.
Eu falo-te. Estás aí, consigo ver-te; não sei que pensarás, se pensarás. Finjo que me escutas, finjo que a tua aparente ausência é, na verdade, concentração no som da minha voz, no significado das minhas palavras.
Não consigo parar de falar. Quero falar-te-me. Dizer-me-te. Há uma vontade de me dar que nasce nas minhas entranhas e controla por completo o meu arbítrio, dilacera com uma facilidade constrangedora o meu autocontrole.
Quero partilhar-me, dar-te pedaços de mim. Por exemplo, dizer-te que: tão pouco tempo passou; e já não estou certa do que te disse, há momentos. Disse-te, peremptória, que não lamentava a minha imobilidade; é verdade, nunca lamentei. Sempre acreditei que a imortalidade, a quase imortalidade a que fui condenada, é uma forma de mobilidade; aliás: uma forma superior de mobilidade; não preciso de ir, é o mundo que vem até mim. Sempre me refugiei na crença da minha superioridade; sempre cedi à arrogância. Mas, agora, tu vens e... Confesso-te: apeteceu-me correr atrás de ti. Bastou um fragmento de dúvida, bastou ceder por um instante: e logo os fantasmas negros e lúgubres da incerteza se precipitaram sobre mim, dilacerando num único golpe todas as minhas certezas. Saboreei a dor da impotência, da dependência: virias quando quisesses, se o desejasses; e eu: nada poderia fazer. Sim, é verdade que poderia esperar durante décadas, poderia esperar para sempre; mas, e se nunca viesses?
Desculpa, não sei por que te falo assim. Não gosto destes novos (esquecidos) sentimentos que vejo nascer em mim; angustia-me esta percepção de que, afinal, sou apenas uma crisálida: e o único propósito da minha existência é dar origem a uma qualquer borboleta, a outro ser que nunca suspeitei ter em mim.
Na verdade, tenho medo. E não sei como te pedir ajuda.
Disse-te: não esperarei por ti; mentira: espero por ti. Disse-te: já me deste tanto. Mentira: ainda não me deste nada. Digo-te: quero-te, aqui, meu.
Digo-te, ainda:
Já não recordo a última vez que estive apaixonada; digo-te que, para ser sincera, já nem sei bem o que é estar apaixonada. Peço que compreendas: não sei se estou a apaixonar-me por ti porque já não sei o que é amor.
Agora, ergues-te e afastas-te. Não te despedes, não olhas para trás. Simplesmente, voltas a sair da minha vida. Hoje não falaste; falei por ti: mas não me escutaste. Limitaste-te a conceder-me a caridade da tua presença; nada mais.
Perguntaste-me: como é que as árvores fazem amor?
E eu respondi-te, gritei-te a resposta, é o que tenho estado a fazer desde que voltaste até junto de mim: falando, as árvores fazem amor falando. Será que não reparaste: tenho estado a fazer amor contigo. Mas tu foste incapaz de perceber: converteste o meu acto de amor numa pérfida masturbação. E agora foges, indiferente ao meus gritos silenciosos.
Odeio-te.
E é nesse ódio que percebo a origem do meu amor por ti.
Paulo Kellerman
Abril de 2003
IV
Sorumbático. Assim estaria hoje se fosse qualquer coisa para o que quer que fosse.
Hoje não falo. Hoje penso. Hoje lembrei-me que nem eu me conheço, que nem eu consigo perceber bem onde está a diferença entre o meu pensamento e a minha voz. E duramente lembrei-me: não tenho voz. Tenho a capacidade de conseguir ser ouvido pelos homens, de os iludir com sons que não existem, de me desviar de dialectos, línguas, “surdezes”, raças, credos, vinhos e até mortes. E ser ouvido por todos. Mas não sei como o faço. Tudo assiste à minha vontade: uma linha de pensamento faz-me acreditar que falo. E falo. Mas hoje não quero. E não falo. Que terrível comodismo assente na ignorância. Porque para mim é o mesmo. Porque eu nunca me ouço. Porque o meu timbre é o mesmo do das rochas. E cansa-me existir tão vagamente.
Sou um anjo. Mas para quê? Não fosse a minha dor e tudo me faria acreditar que não sou nada, ou melhor, se existisse em mim apenas a crença em alguma coisa, ainda que essa fosse “não sou nada”, acharia que seria um fragmento de qualquer coisa, no tempo do antes-do-nada, na iminência de me tornar qualquer coisa.
Então sou qualquer coisa, e acontece saber que sou um anjo. Mas se ninguém me vê nem eu, mas se todos me ouvem menos eu, que faço por aqui!
Completamente desenraizado de tudo sento-me ao pé de ti de novo. “Desenraizado”. Penitenciar-me-ia veementemente se em vez de pensar falasse, se em vez de ser ignorado me ouvisses.
Voltei a ti, não me afastei muito e decidi que melhor que procurar outras às quais como a ti poderia dar nome, seria voltar aqui. Como prometi.
Fiz uma aproximação tão humana quanto pude: imaginei passos que daria e imprimi uma cadência ritmada à minha viagem, ao meu (como me entristece) deslizamento.
Parei porque me faltava qualquer coisa...qualquer coisa de não natural marchava comigo para ti. Percebi: o silêncio. Faltava o som dos meus passos.
Passou alguém na tua direcção. Segui-o e olhei para cima. Ganhei passos. Ganhei dimensão humana.
E aproximei-me mais. Ansioso, senti-me ansioso. Quase que senti um coração acelerar-se em mim. A expectativa cresceu muito.
Comecei a conseguir distinguir-te da mancha impressionista que te envolve.
E foi exactamente no mesmo nanosegundo em que te vi que o meu animo se dissolveu. Eu vejo-te. Tu tens imagem, involuntariamente dás-te, existes. E eu nem para quem quero me consigo mostrar. Nem para ti.
Queria que me percebesses, que a minha chegada se anunciasse como a tua presença surge sólida. E sinto-me egoísta, e imbecil, e de novo: sozinho.
À medida que os teus contornos se me foram tornando mais nítidos pensei em ti, em como, deixando toda a verosimilhança de lado (nada é mais inverosímil que eu ), se me ouvisses, nada me poderia garantir: que me querias por perto, que não te incomodariam as minhas incertezas, que não te retiraria eu de uma existência feliz e resignada.
E foi então que decidi: hoje não lhe falo.
E cá estou eu, perto de ti. Se tivesse um corpo estaria agachado, com as mãos a segurar os pés e a cabeça entre as pernas.
Mas mesmo assim vejo-te. És bonita. Penso em algo que nunca antes me ocorreu: são as árvores os únicos seres vivos que conseguem sentir a juventude depois da velhice, num ciclo continuo e imutável.
Se tivesse lábios sorria. Levanto-me devagar e vou-me embora, esperando não te ter importunado.
Tomei uma decisão. Não sairei desta cidade durante uns tempos. Quero sentir-me familiarizado, quero acreditar na possibilidade que a inexistência, a transparência e o silêncio têm de se sociabilizarem.
Cheguei sorumbático. Parto aconchegado. De novo. E desta vez nem precisei de te falar.
Fábio H. L. Martins
Maio de 2003
(Clique para ler as partes I e II)
The Knife "Heartbeats"
one night to speed up truth
we had a promise made
four hands and then away
both under influense
we had demons in
to know what to say
mind is a razorblade
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
one night of magic rush
the start of simple touch
one night to push and scream
and make believes.
ten days of perfect tunes
the colors red and blue
we had a promise made
we were in love
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
and you, you knew you had to fight devil
and you, kept us away with wolf teeths
sharing different heartbeats
in one night
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
to call for hands of above
to lean on
wouldn't be good enough
for me, no
terça-feira, setembro 05, 2006
Excerto









