segunda-feira, julho 31, 2006

"Pequena Fábula", por Franz Kafka


(Amanhecer em Linda-a-Velha, por A.P)


"Ai de mim", disse o rato. "O mundo está a ficar cada dia mais pequeno. Ao princípio era tão grande que eu tinha medo, estava sempre a correr, a correr, e fiquei contente quando finalmente vi paredes lá ao longe, à esquerda e à direita, mas estas longas paredes estreitaram-se tão depressa que eu agora já estou no último compartimento e ali no canto está a ratoeira para a qual sou obrigado a correr." "Só precisas de mudar de direcção", disse o gato, que logo o engoliu.

Franz Kafka em Contos.

11 comentários:

Anónimo disse...

Se correr o bicho pega...se ficar o bicho come... :)

Anónimo disse...

Se correr o bicho pega...se ficar o bicho come... :)

Maria P. disse...

"Ai de nós" digo eu.

Uma boa escolha, para meditar.

Beijinhos e boa semana.

p.s. gosto de Linda-a-Velha, mas conheço melhor ao nascer do dia, a foto está interessante.

Fábio disse...

Obrigado... Meditar sobre a claustrofobia? Sobre o caminho que seguimos individual\colectivamente?

Não fui eu que tirei a fotografia, mas também godto dela. Angi é artista :)
Beijinhos

ana disse...

Bela fábula. Situações sem saída por vezes acontecem-nos mesmo...

Beijinhos

Fábio disse...

MAs serão mais as que criamos, por correr sem olhar para onde, ou as que deixamos que nos criem?
Beijinhos
Boa noite

Anónimo disse...

amo-te*

Fábio disse...

eu mais* :)

Cláudio disse...

Fugir do mundo e confortar-se à vista do espaço a tornar-se mais estreito, já de si são comportamentos de que não se prevê nada de bom.
A certa altura esse mesmo espaço continua a parecer assustador, mas persiste-se no mesmo erro. Foge-se para o que parece ser o fim próximo, apesar de ainda haver uma possibilidade de salvação: bastaria para isso corrigirmos a nossa rota.
O controlo que temos sobre os acontecimentos é aparente. A qualquer instante O elemento surpresa, o imprevisível aparecendo do nada, pode acertar-nos em cheio e acabar com qualquer escapatória.

Amigo, desculpa-me por já não comentar há algum tempo. Tenho aparecido mas têm-me faltado as palavras...

Um grande abraço :)

ana disse...

Acho que são bem mais as criadas por nós.

Beijinhos

Fábio disse...

Cláudio, sem palavras fico eu, quando se vence a distância do computador. Preciso de estar contigo só, para falarmos, muito. Saudades.

Ana, concordo contigo, plenamente, a questão é que nada nos irrita tanto como quando são os outros nos erguem paredes à frente dos olhos, se formos nós, ou não percebemos, ou, na maior parte das vezes, contemporizamos.
Bjinho