segunda-feira, setembro 25, 2006

Fumo



Toalhas enroladas aconchegam-te o sono enquanto luzes sintéticas afastam o meu.
Um lento torpor fumegante dissipa-se e nada já incandesce. O medo do vazio acende-se, porém. Num claro assomo de solidão grito-te, mas a voz não sai. Alguma coisa me prende ao silêncio. Emudeço.

Despejo nos teus olhos o turbilhão dos meus, mas num instante me descubro fito no chão.
O suave consolo de uma música devolve-me a lassidão do cigarro.
E nas inconsistências do dia se resolve a inconsequência das horas.

2 comentários:

margarida disse...

" O próprio do homem é viver livre numa prisão. Estamos sempre condicionados e até prisioneiros de nós próprios."

Uma citação de A.Lobo Antunes e com a qual respondo às minhas e às tuas interrogações.

Vando disse...

Poderás sempre despejar nos meus olhos o turbilhão dos teus e nunca mas nunca te deixarei sequer tocar no chão...Beijinhos....