terça-feira, setembro 26, 2006

Sol nocturno


Remendam-se ideias, garatujam-se projectos, e no fim do dia levam-se para debaixo da almofada, na esperança que nenhum elfo apareça e mos roube, agora que já não acredito neles.


Passam-se dias seguidos, o tempo avança inexorável, e o equilibrio chega aos soluços.
Esperar a totalidade é o primeiro passo para falhar na percepção das coisas boas. Habituemos os olhos à realidade fragmentária e tudo se tornará mais fluído. Eduquemos o ego.


Deixemo-nos de pseudo intenções.

Por dia bebo 4 ou 5 cafés, fumo 20 a 30 cigarros. Penso: combato o cansaço, imponho-me pausas. Penso: para quê e de quê?
É importante saber ser derrotado, dar-mo-nos por vencidos, ceder. É o primeiro passo do (re)início, para a concórdia.


Dar-mo-nos por vencidos é uma decisão que implica uma considerável dose de coragem. Não é uma desistência, não implica estatismo: Impõe exactamente o contrário.

8 comentários:

sete disse...

É mais difícil sair do barco que nos carrega do que seguir com ele. Admitir o que sentimos é um acto corajoso, mas sem o qual deixamos de ser nós próprios...
Gostei do post.
Beijinhos

Cláudio disse...

De vez em quando é mesmo preciso fazer restart. Assumir que temos de dar esse passo e carregar no botão. Reinicia-se à partida com um melhor conhecimento das nossas limitações, dos erros que possam ter levado ao bloqueio.

Tendo coragem para o assumires, não tens motivos para continuares a sentires-te vencido. Puseste-se em marcha e o vencido ficou para trás.

Um abraço.

OLHAR VAGABUNDO disse...

APENAS UM ABRAÇO...
ABRAÇO VAGABUNDO

Anónimo disse...

Ainda me consegues surpreender com a beleza e a sabedoria das tuas palavras.
Concordo plenamente com o Cláudio, esse outro homem de sábias palavras...
Se precisares de alguma coisa, já sabes que podes contar com a minha amizade.
Beijo grande, com enormes saudades.
Margaluca.

Anónimo disse...

Durante muito tempo julguei que dar-me por vencida era assumir uma derrota pessoal...Mas não é disso que se trata...É antes libertar-me de uma amarra que me auto-imponha. É respirar como se tivesse acabado de nascer.

Apesar de em silêncio...nunca me eskeço de te ler...

Beijinho godo

Ana

magarça disse...

Concordo contigo, não é uma desistência. Implica uma reflexão, ganhar forças para a próxima investida.

musalia disse...

cair e voltar, levantar e voltar a caminhar...
conheço bem essas etapas. só que cada vez é mais difícil. provavelmente porque a tendência é essa que dizes: resistir à queda.
afinal, tudo não passa de um ciclo, repetitivo, como todos os ciclos...morrer, viver, morrer...

beijos.

Anónimo disse...

Meu caro yeti,
Concordo em absoluto contigo.
Desistir pode ser o mais nobre acto de coragem e de revolta. Do mesmo modo que insistir em conviver com a hostilidade pode significar o mais puro acto de cobardia. Todos os grandes Homens desistiram em dada altura... Desistiram daquilo que os oprimia,desistiram de tudo o que consideravam contranatura, de tudo o que os tornava infelizes. São raros os que ousam a rendição...